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QConSp 2011, segundo dia: eu fui!

Bem, cá estou eu de volta para falar do 2.º dia do QCon São Paulo. Muita experiência foi compartilhada no domingo: caching, cloud, NASA, arquitetura evolucionária e outras coisas.

Na primeira palestra, tivemos o Kunal Bhasin da Terracotta, com a palestra Caching e NoSQL, mas talvez pudesse se chamar Caching e NoRDBs.

Kunal Bhasin da Terracota
Kunal Bhasin da Terracota

A apresentação foi muuuito bacana, discutindo inicialmente a problemática de otimizar os recursos de RAM de super servidores, que acabam sub-utilizados devido ao comportamento do Garbage Colletion.

Entre as soluções apresentadas estava o EhCache (projeto opensource mantido pela Terracotta) que “melhora o desempenho … e simplifica a escabilidade”, principalmente quando combinado às outras soluções da empresa, como o BigMemory e o Terracotta Suite. A integração do EhCache às outras soluções me impressionou particulamente pela simplicidade, pois se resume em uma configuração XML (chave/valor) muito simples. Mas não se engane, não foi apenas uma demonstração de produtos da Terracotta, a apresentação foi bem científica e séria, muitas vezes o Kunal justificou sua fala em pesquisas científicas (Berkley, MIT).

Ao final, ele mandou ver em uma comparação entre a performance de uma aplicação com e sem “Terracotta”. E blz! Funcionou o “ao vivo”. Pois é, o cara falou de coisas não triviais e se fez entender!

A segunda palestra, para mim foi a melhor deste QCon SP (talvez porque eu era fascinado pela NASA na infância???): o Khawaja Shams da NASA – é, da NASA, – apresentou: “MythBusters – Mission Cloud Computing @ NASA”.

Khawaja Shams da NAAAAASA!
Khawaja Shams da NASA

Como o próprio título já falava, Khawaja compatilhou a experiência da NASA em utilizar clouds do mercado (GAE, Amazon e Azure), no melhor estilo “caçadores de mitos” (MythBusters), expondo o que era mito e verdade na adoção de clouds. Ele falou sobre segurança e confiabilidade, disponibilidade, “capacidade infinita”, e se cloud é só para empresa pequena.

E tome mais perspectiva científica no QCon: para poder “desmitificar” estes mitos (as hipóteses), a NASA criou algumas aplicações com dados abertos (experimentos) para testar cada uma das plataformas citadas, sobre cada perspectiva de mito. Além do assunto ser muito interessante, a apresentação foi um show:

  • mostrou algumas dessas aplicações de teste, como a Be a Martian,
  • foi “carimbando” mito por mito e dando seu parecer,
  • e – a coisa mais doida no evento – mostrou a utilização ao vivo do nuvem da Amazon com um controlezinho inusitado para solicitar mais capacidade dos servidores da Amazon (a galera foi aos risos), muito divertido.

O moral da história é que hoje a NASA utiliza sim nuvens comerciais, e se preocupa com infra-estrutura a partir de uma outra perspectiva – a com suporte de nuvem.  Segundo Khawaja, ele e seus colegas têm mais tempo para pesquisas “relevantes”, como um robô atleta controlado via iPhone! ahauhau! O cara é muito divertido!

RebeccaParsons e Arquitetura Evolucionária
RebeccaParsons e Arquitetura Evolucionária

A última palestra da manhã, com a Rebecca Parsons, CTO da Thoughtworks, falou sob arquitetura evolucionária, o título era Evolutionary Architecture – Como fazê-la funcionar. Palestra enxuta, mas com recheio completo. Ela diferenciou design emergente de arquitetura evolucionária, discutiu sobre a idéia de adiar decisões que podem ser adiadas, reforçou a idéia de debito técnico, ressaltou a importância de identificar o que reversível em um projeto, nível de acoplamento desejado. E lógico, reforçou que para a arquitetura ser evolucionária é preciso testar, testar e… testar de novo!

À tarde, assisti 02 palestras da trilha Agile no Estado Arte e uma da trilha O browser como plataforma.

Rodolpho UgoliniA palestra do Rodolpho Ugolini, da IBM, reforçou a visão de agilidade baseada em pessoas e, além de discutir o estado da arte, apresentou alguns dos livros que ele acha interessante – inclusive, comprei um deles na hora da apresentação: Software Enginnering, Best Practices (o livro traz 200 práticas comparadas em mais de 20 anos de observação). Finalizou apresentando o Jazz Process, que consiste em conjunto de princípios para serem aplicados em processos de desenvolvimento. Foi o momento “zen” do QCon. Muito bom.
Veja mais sobre o palestra do Rodolpho Ugolini

O Saulo Arruda da empresa Jera apresentou 5 anos em 1 – aprendendo a empreender. Pelo tema pensei que seria algo para motivar futuros empreendedores, mas, entre o convite da palestra até o dia do QCon, alguns reveses acometeram a Jera. Então, com muito bom humor, o Saulo apresentou as lições aprendidas após os problemas enfrentados… que não foram poucos. Ele mostrou o quão bacana pode ser começar seu própria negócio, e o quanto você tem que saber onde está pisando para poder dar o próximo passo.

Os complicados testes de interfaces e componentes web foi um tema apresentado em dupla, Andrews Medina e Francisco Souza, da Globo.com e do CobraTeam fizeram uma visão geral da ferramentas de testes de interface, além de mostrar algumas em funcionamento.
Veja mais sobre a palestra de Andrews Medina e Francisco Souza.

Apesar do domingo estar repleto de palestras interessantes, devido ao horário o vôo de volta para Fortaleza não pude assistir as demais.  Mas era o que tinha para o fim de semana.

Bem, posso dizer que o QConSP continua muito bem e eu voltei para casa, como no ano passado, cheio de idéias.

QConSp 2011: eu fui!

QCon São Paulo 2011

Este ano estive de volta ao QCon São Paulo. Como no ano passado o evento tinha sido muito bom, não pude deixar de voltar este ano. Minhas expectativas eram altas, e, sem surpresas, foram satisfeitas.

Abertura do QCon São Paulo 2011

O evento foi realizado novamente no espaço da FECOMERCIO, com excelente organização, melhor do que a do ano passado. Uma das melhorias foi que o coffe-break ficou em um lugar isolado, desta forma quem queria trocar experiências não atrapalhou o andamento das palestras. O número de palestras também foi superior e com tantas possibilidades, foi difícil escolher quais assistir.

A manhã do primeiro dia reuniu apresentações para a platéia toda, foram elas:

  • Aprendizados de grandes sistemas HTTP-centric com Jim Webber;
  • Por uma Web mais rápida: Técnicas de otimização de Sites, com Sérgio Lopes da Caelum, e
  • Engenharia de Performance no Twitter com  Evan Weaver.

A palestra do Jim falou sobre integração de sistemas e mostrou um case em que a utilização de REST foi comprovadamente  mais barata e melhor do que uma solução baseada em ESB (Enterprise Service Bus). Para ele, o ESB somente “transfere a complexidade da integração dos sistemas para um novo local”, quase como uma “caixa de Pandora”, ou seja, o trabalho de ligação multi-ponto ainda tem que ser feito. Quem já trabalhou com um barramento desses sabe quão complexa é a tarefa. A experiência foi relatada de maneira divertida e objetiva.

A segunda palestra foi do Sérgio Lopes, que, nesta edição, veio como um dos palestrantes principais. Ótima escolha da organização do evento, pois no ano passado sua palestra sobre Google App Engine tinha sido incrível e  novamente ele mandou muito bem. Sua apresentação foi matadora:

  • mostrou dados sobre estudos e melhorias de performance de sites dos big players;
  • apresentou dados de experiência de performance realizadas no site da Caelum;
  • listou soluções para os problemas e ainda classificou entre fácil, difícil e desafiador.

Uma das coisas mais bacanas foi ele ter realizado um estudo prévio com os sites dos participantes do evento e para cada técnica apresentada, ele exibiu médias (não muito animadoras, diga-se de passagem) dos problemas dos sites em relação a elas. Palestra organizada e “concisa”. Já estou esperando a do ano que vem!
Veja a apresentação do Sérgio Lopes 

O Evan Weaver trouxe um assunto muito interessante e a experiência vivida em uma das redes sociais mais populares da sociedade. Infelizmente, apesar do alto nível técnico do palestrante, a sessão não foi capaz de capturar a atenção do público.

À tarde, escolhi fazer a trilha de agilidade. Dei sorte! Os palestrantes compartilharam suas experiências sobre a aplicação de técnicas ágeis no dia-a-dia e em projetos, falando tanto do que deu certo, quanto do que não deu certo. Muito proveitoso uma empresa abrir lições aprendidas do tipo #fail.
Veja a apresentação da Bluesoft

O Guilherme Silveira mandou bem, ressaltou os benefícios de um código limpo e com bom encapsulamento. Outro destaque foi o Alexandre Freire que apresentou a idéia de divida técnica, trazendo para o QCon uma informalidade com grande carga de pensamento científico, mostrando que ciência é para ser aplicada e que resolve.

A palestra sobre refatoração foi corajosa ao apresentar diversas técnicas de refatoração, mas para um espaço de tempo tão curto, teria sido mais eficaz se tivesse optado por apresentar um pouco menos.

Os ligthning-talks também não deixaram por menos, fui para a trilha que falava sobre testes – apresentações curtas, mas que me fizeram anotar muitas dicas.

Bem, estas foram minhas impressões do primeiro dia do #QconSP 2011. Depois passo as do segundo dia.

Abraços,

Eduardo Mendes
@dudumendes